Ao contrário do que fiz quando da última vez em que o blog saiu do ar e retornou, não vou gastar palavras explicando os motivos. Vou guardar a inspiração para artigos realmente interessantes. Basta por ora informar ao leitor que ainda não nos tenha abandonado após tão longo silêncio que, com alguns megabytes de memória a mais e livre de outros encargos, o servidor que hospeda este blog desde o começo está rodando o WordPress de novo, atravessado o longo e tenebroso inverno.

Fora isso, dois acontecimentos potencialmente relevantes:

  • Após um surto de inspiração criativa com um nome (acreditem, isso é muito raro comigo, não pude ignorar), criei outro blog, este só para artigos relacionados ao Direito, direta ou indiretamente. Chama-se “Iuris Tantum”, em uma brincadeira com esta expressão latina que é empregada para designar presunções relativas de veracidade, as que admitem prova em contrário. Imagino que isso anule a utilidade da categoria “Direito” deste espaço; talvez também a da categoria “Arcadas”… mas só o tempo dirá.
  • Recobrando parte do meu lado geek após meses dissertando sobre tipicidade, antijuridicidade e culpabilidade, ônus processuais e tudo de mais lindo que a Faculdade e o estágio no Tribunal de Justiça têm a oferecer, criei uma conta no Twitter. Friends welcome.

Após um mais que lisonjeiro convite, tive a inenarrável honra de passar a integrar a equipe do blog “Representatives of the World”, anteriormente mantido pelos amigos Wagner Artur, Thomaz Napoleão, Cedê Silva e Guilherme Pereira.

Na prática, isso só significa que você se verá livre das minhas eventuais divagações aleatórias sobre Model United Nations, que passarão a ser feitas lá. ;)

Este post também inaugura a categoria “Metablogagem”, aplicada retroativamente a todos os artigos cujo assunto seja o próprio blog.

Gee, it’s been a long time.

Desde o último artigo publicado aqui, na véspera do meu aniversário de 17 anos, realmente muita coisa aconteceu. No que concerne ao blog, ele padeceu de um mal muito comum aos seus pares: falta de motivação do autor. Passaram pela fila artigos sobre o iPhone, o pior brasileiro de todos os tempos, estado de anomia da sociedade brasileira, caos da minha vida pessoal e até um sobre o então recém-ocorrido golpe de Estado no Paquistão, que, ironicamente, fazia uma breve menção à minha incapacidade de concluir os textos e publicá-los. Pela falta de uso e a limitação de recursos que aflige o servidor que hospeda este blog, o site da Simulação para o Ensino Médio e outros serviços consideravelmente pesados, o meu diário abandonado chegou a ser retirado do ar por bastante tempo. Agora que já deu tempo de o brinquedinho da Apple virar notícia velha, Benazir Bhutto ser assassinada etc., inspirado pelo novo empreendimento de um amigo, faço uma nova tentativa de trazer a minha válvula de escape de pensamentos de volta à vida, como o título do post indica aos falantes de alemão.

No que diz respeito à minha insignificância, atravessei mais um semestre da terceira série do Ensino Médio no Colégio Bandeirantes, fingindo estar cumprindo com as minhas obrigações, como fizera no post Vida de estudante, ocasião na qual eu esparramei tudo que precisava estudar sobre a mesa, tirei uma foto para impressionar a todos, mas acabei não estudando coisa alguma. Esta semana, tive a minha colação de grau e o baile de formatura, ambos muito bons. Só não foram melhores por causa da minha aparência estranha, sem cabelo. Sim, eu fui aprovado no único concurso vestibular que prestei, Fuvest 2008, para a minha primeira opção, a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Ou da Academia de Direito do Largo de São Francisco. Ou do Curso de Ciências Jurídicas e Sociais de São Paulo. Chamem como quiserem, sou, desde a matrícula no dia 11, parte da turma CLXXXI, período diurno, do curso superior mais antigo do país, pelo qual passaram 11 presidentes da república, entre outros incontáveis nomes estampados nos livros de história do Brasil. Espero escrever muito a respeito da instituição, do curso, das pessoas, do Centro Acadêmico e do objeto de estudo. Para tanto, inauguram-se as categorias “Arcadas” e “Direito”, que serão aplicadas oportunamente.

Também conheci pessoas maravilhosas, desfrutei de experiências únicas, em especial a viagem à Alemanha que eu mencionei no artigo „Wir fahren nach Berlin”, sobre a qual eu ainda pretendo escrever muito… Enfim, tenho todos os motivos do mundo para estar mais feliz. :)

A Microsoft deveria apostar mais na indústria do entretenimento. Isso porque, se tem uma coisa que eles sabem fazer direito – que, como você deve ter imaginado, não é programar – é divertir as pessoas. Não importa quanto tempo passe, eles jamais abrem mão da nobre tradição de garantir aos seus potenciais consumidores boas gargalhadas durante a demonstração de novos produtos.

Uma das vezes em que isso aconteceu foi no lançamento do Windows 98. O sistema operacional completamente Plug&Play, que nunca mais deixaria o seu computador travar e…

Bem, o funcionário que fez a demonstração ao lado do Tio Bill nunca mais foi visto.

Hoje, quase uma década mais tarde, a gigante de Redmond promove demonstrações do seu mais novo feito, o Windows Vista, que, além de todas as promessas que todos ouvem desde o Windows 3.1 for Workgroups, apresenta novos recursos fantásticos, como “reconhecimento” de voz.

Bom, a voz ele reconhece. Só falta reconhecer o que a voz disse. Mas também, o que você esperava? Se ao menos eles utilizassem técnicas de recrutamento de desenvolvedores, digamos, erm… menos coreográficas…

Heart like a wheel

Some say the heart is just like a wheel
When you bend it you can’t mend it
And my love for you is like a sinking ship
My heart is on that ship out in mid-ocean

They say that death is a tragedy
It comes once and then it’s over
But my one only wish is for that deep dark abyss
For what’s the use of living with no true lover

And it’s only love, and it’s only love
That can break a human being
and turn him inside out
That can break a human being
and turn him inside out

When harm is done, no love can be won
I know it happens frequently
What I can’t understand
Please God, hold my hand
Is why it should have happened to me

And it’s only love, and it’s only love
That can break a human being
and turn him inside out
That can break a human being
and turn him inside out

Some say the heart is just like a wheel
When you bend it you can’t mend it
And my love for you is like a sinking ship
My heart is on that ship out on mid-ocean
And it’s only love
And it’s only love…

Pior do que ter a sua confiança traída é descobrir que ela não forma um elo, não é recíproca. Não há sofrimento pior por que se possa passar neste mundo do que confiar em alguém mais do que este alguém confia em você. É óbvio que a asserção não se aplica a miudezas… mas experimente, só por um momento, imaginar o resultado de colocar-se nas mãos de uma pessoa, entregar-lhe a sua história, com direito aos detalhes mais sórdidos, maiores sofrimentos e, assim, involuntariamente, condicionar a essa pessoa a sua estabilidade e o seu bem-estar. Experimente, neste contexto, imaginar não poder ajudar o tal indivíduo em situações não mais que corriqueiras, simplesmente porque ele não demonstra confiança suficiente em você nem ao menos para aquilo.

A sensação vai muito além do que se pode conceber, e possivelmente além do que se pode suportar.

Finally, sono arrivate as long-awaited e merecidas férias. Desculpe por isso, mas há algumas idéias que são melhor transmitidas em uma língua específica (sorte sua que não tem nenhuma que fique particularmente bem em alemão nessa frase). Enfim, agora, com tempo livre quase de sobra, eu vou ter a chance de… NÃO! Não é isso que você está pensando. Eu lá tenho cara de spammer? Eu vou ter tempo para descansar um pouco e estudar duas apostilas de revisão que o colégio me deu que, juntas, somam 400 páginas de material, além de ler Sagarana e outras atividades escolares *cof* tão divertidas quanto *cof*.

O spam é outra coisa. Que culpa eu tenho se um fato irritante coincidiu com o primeiro dia da minha alforria de um mês? Achou que este post estava nas categorias “Bom humor”, “Frustrações” e “Revoltas aleatórias” ao mesmo tempo por engano?

Hoje, eu recebi a seguinte aberração por e-mail:

O XXXXX é o melhor programa de envio de emails do mercado, enviando até 500.000 emails por hora, para qualquer provedor de acesso, sem nenhum tipo de bloqueio, com velocidade e eficiência.

Os dados para a aquisição do XXXXX são os seguintes:

Banco : *******
Agência : *******
Conta : *******
Titular : Corbett Software Informática Ltda
CNPJ : 02.990.080/0001-03
Valor : R$ 99 – PACOTE GOLD EXTRA com PREÇO DE CUSTO

PACOTE GOLD EXTRA por somente R$ 99, contendo:

- XXXXX 7.6 TURBO, o mais completo programa de envio de emails do mercado
- UPGRADE GRATUITO para o novo XXXXX 8.0, no lançamento.
- Multi List completo, o melhor programa de captação de emails e de gerenciamento de emails.
- Autosend, programa para acelerar e enviar múltiplas listas de emails.
- Concat, programa para gerenciamento de listas de emails.
- 20 milhões de emails verdadeiros.
- 500.000 emails de empresas
- 1 milhão de servidores proxy SMTP para envio de emails.
- 2 anos de suporte gratuito.
- 2 anos de garantia.

Claro que eu removi informações sobre o produto para não ajudar a campanha publicitária da escória mas… WHAT THE HELL? Programa criminoso com suporte e garantia! É uma pessoa jurídica legalmente constituída, dando todas as informações possíveis para facilitar o pagamento por este nobre objeto de compra. Em muitos lugares do mundo, isso seria um atestado de insanidade, e tornaria obrigatória a assinatura prévia do próprio atestado de óbito, porque uma horda de usuários e administradores de sistemas em fúria caçaria os indivíduos até os confins do mundo e os linchariam até…

Aliás, os cidadãos de bem, vítimas dessa insuportável praga que corrói as telecomunicações virtuais por dentro, não precisariam se dar ao trabalho. A polícia teria todo o prazer de fazer o serviço sujo, que seria extremamente limpo, no lugar deles. Em muitos países, o e-mail que eu recebi hoje não é uma propaganda, é a confissão de um crime!

Mas por que, ó, por que, nada acontece? Dica: começa com “Re” e termina com “pública das bananas”.

P.S. Ai dessa corja de desocupados se um dos meus endereços de e-mail ou um dos servidores que eu administro estiver nas listas deles.

É hoje, e é o dia no qual os italianos podem se lembrar de um dos maiores marcos da sua história recente. Após viver alternadamente a desgraça e a glória em guerras sangrentas de unificação, 23 anos de uma ditadura fascista inicialmente apoiada por um soberano desastrado e, finalmente, exatos 61 anos atrás, o referendo institucional que determinou a queda definitiva da monarquia, sob a Casa de Savoia, em favor da forma de governo republicana.

Não foi simples, com um país virado de pernas para o ar, envolvido nos dois lados de uma Guerra Mundial, e um processo eleitoral bastante conturbado e questionável. Entretanto, hoje acredito que a decisão tomada pela ínfima margem de cerca de 2 milhões de votos foi a correta, ou tão correta quanto possível, especialmente tendo em vista os inumeráveis escândalos em que Vittorio Emanuele, filho do Rei Umberto II, e toda a sua família se envolvem regularmente…

E viva la Repubblica Italiana!

—-

Fratelli d’Italia,
L’Italia s’è desta;
Dell’elmo di Scipio
S’è cinta la testa.
Dov’è la Vittoria?
Le porga la chioma;
Ché schiava di Roma
Iddio la creò.

Stringiamci a coorte!
Siam pronti alla morte;
Italia chiamò.

Noi siamo da secoli
Calpesti, derisi,
Perché non siam popolo,
Perché siam divisi.
Raccolgaci un’unica
Bandiera, una speme;
Di fonderci insieme
Già l’ora suonò.

Stringiamci a coorte!
Siam pronti alla morte;
Italia chiamò.

Uniamoci, amiamoci;
L’unione e l’amore
Rivelano ai popoli
Le vie del Signore.
Giuriamo far libero
Il suolo natio:
Uniti, per Dio,
Chi vincer ci può?

Stringiamci a coorte!
Siam pronti alla morte;
Italia chiamò.

Dall’Alpe a Sicilia,
Dovunque è Legnano;
Ogn’uom di Ferruccio
Ha il core e la mano;
I bimbi d’Italia
Si chiaman Balilla;
Il suon d’ogni squilla
I Vespri suonò.

Stringiamci a coorte!
Siam pronti alla morte;
Italia chiamò.

Son giunchi che piegano
Le spade vendute;
Già l’Aquila d’Austria
Le penne ha perdute.
Il sangue d’Italia
E il sangue Polacco
Bevé col Cosacco,
Ma il cor le bruciò.

Stringiamci a coorte!
Siam pronti alla morte;
Italia chiamò.

(versão original de Il canto degli Italiani, escrito por Goffredo Mameli e musicado por Michele Novaro em 1847, o que explica as divergências em relação à norma atual da língua italiana e ao próprio hino nacional)

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